Conteúdo - O que é o bullying?

O bullying é um tipo de violência que se caracteriza por ser intencional, continua e de carácter físico, verbal e/ou psicológico sobre um ou mais indivíduos.

O bullying ocorre em qualquer lugar, data e hora. Este problema torna-se possível a partir do momento em que alguns estudantes têm maior poder do que outros e várias vezes as consequências de se ser vítima deste fenómeno são extremas, como é o caso do suicídio.

A primeira pessoa a estudar o bullying foi o Professor Dan Olweus, da Universidade de Bergen (1978 a 1993), na Noruega.


  • As formas de bullying mais comuns são:
Físico

ü      Bater
ü      Empurrar
ü      Roubar
ü      Praxes violentas
ü      Vandalizar e/ou quebrar pertences
Verbal
ü      Insultar
ü      Ofender
ü      Gozar e contar piadas
ü      Ameaçar e provocar
ü      Contar histórias sobre a vítima
Psicológico
ü      Imitar
ü      Humilhar
ü      Fazer sofrer
ü      Perseguir
ü      Discriminar e excluir
ü      Chantagear e amedrontar
ü      Assediar
ü      Não falar e ignorar
ü      Dominar e tiranizar
ü      Isolar
 Abrapia, 2006






O bullying surge a partir do momento em que alguns estudantes têm maior poder do que outros e caracteriza-se pela adopção, para com os seus colegas, de atitudes agressivas sem motivo aparente, magoando-os quer física, quer psicologicamente (Abrapia, 2006; McCarthy, Sheehan, Wilkie e Wilkie, 1996:51). O bullying cada vez mais assume proporções alarmantes, atingindo todas as faixas etárias (Abrapia, 2006), desde o nascimento à morte do indivíduo, e sendo cada vez maior o número de praticantes.

Muitos pesquisadores em todo mundo estudaram este fenómeno e, nas suas pesquisas, concluíram que o bullying está a alastrar a todas as classes sociais e há uma tendência para o aumento desse comportamento com o avanço da idade (Abrapia, 2006). De notar que os adolescentes que praticam bullying têm mais probabilidade de praticar violência doméstica durante a idade adulta (Pereira, 1997).

Segundo Almeida (cit. in Cortellazzi, 2006:1), os casos de bullying não se resumem a conflitos acidentais mas a “situações reiteradas que geram mal-estar psicológico e afectam a segurança, o rendimento e a frequência escolar”, uma vez que o objectivo do agressor é o de ganhar controlo sobre a vítima (Carvalhosa, Lima e Matos, 2001).
Segundo Beane (cit. in Marques, 2006:1), o bullying é uma disciplina da violência e, dentro desta, vale tudo, sendo cada vez mais comum os alunos mais velhos e com maior popularidade intimidarem os mais novos, uma vez que estes são, à partida, vítimas fáceis (Carvalhosa, Lima e Matos, 2001).

O bullying assume duas formas: o bullying físico/directo e o bullying social/indirecto (Marques, 2006). O bullying físico/directo chama-se assim porque se caracteriza pela violência de carácter físico, como bater e empurrar, sendo também a prática mais comum dos rapazes. Por sua vez o bullying social/indirecto, assume esta definição por se voltar para a vertente psicológica, sendo mais praticado por raparigas e cujo objectivo principal é o de levar a vítima ao isolamento social, regra geral através de práticas como espalhar histórias maldosas, rejeitar, ofender e gozar com os aspectos socialmente significativos da vítima (Wikipédia, 2007; McCarthy, Sheehan, Wilkie e Wilkie, 1996:50).

O bullying ocorre em qualquer lugar, data e hora onde as pessoas interajam umas com as outras, sendo a escola o local onde mais casos se dão (Wikipédia, 2007).

Porém, o bullying não ocorre unicamente nas escolas, actuando em todos os locais onde as pessoas interajam, como é o caso do local de trabalho e da Internet [o chamado cyber-bullying], entre outros.

Estudo feito por Seixas (2005) aos alunos do 3ºciclo de Lisboa:
Agressores – 12%
Testemunhas – 34%
Vítimas – 54% (destes, 30% são vítimas passivas e 24% vítimas/agressores)

Porém este fenómeno faz-se sentir desde cedo, o que é mostrado pelo estudo feito no norte do país, em que 21% dos alunos dos 7 aos 12 anos admitem ser vítimas de bullying, sendo que, destas, 5% sofre maus tratos muitas vezes (Carvalhosa, Lima e Matos, 2001).

Segundo Beanne (2007), o facto das pessoas conhecerem mas optarem por ignorar a existência do bullying, é um dos motivos porque este fenómeno continua a permanecer uma constante na nossa sociedade, constituindo uma espécie de violência secreta (Seixas, 2007), dada a desvalorização que sofre ao ser considerado algo normal e característico do crescimento do jovem, sendo por muitos pais e educadores considerado saudável (Porto Editora, 2007). Outras vezes, este fenómeno perpetua-se pelo facto das pessoas lidarem com ele em silêncio: há crianças que tentam ignorar e esconder o problema por vergonha ou pelos motivos mais diversos, e ninguém sabe o quanto é doloroso e penoso fazê-lo (Porto Editora, 2007).

Porém, a continuação deste fenómeno deve-se ao facto de nos habituarmos a resolver os problemas que vão surgindo como se pode e, na maioria das vezes, não os participando por escrito, já que é comum ignorarem-se denúncias de casos violentos por se considerarem residuais (Portugal Diário, 2007). No entanto, o facto das escolas não disporem de recursos humanos suficientes para agilizar processos também contribuiu para que o bullying continue e existir (Portugal Diário, 2007).
O que falta para que o bullying comece a diminuir é o encorajamento das vítimas a denunciar os agressores e deixarem, assim, de sofrer em silêncio, por medo de represálias (Cortellazzi, 2006).

O bullying é uma constante nas nossas escolas e que, apesar do fenómeno ser conhecido e quase todos saberem o que é e que ele existe, é raramente admitida a sua existência naquele espaço em concreto, apesar de todos saberem que existe. O bullying tende a ser considerado um fenómeno a esconder, pois admitir a sua existência é um acto de coragem. As vítimas continuam a permanecer na escuridão, escondidas do mundo, enquanto os agressores são acompanhados e auxiliados a superar este problema.