Notícia - Proteína fundamental em doenças neurodegenerativas “fotografada” por portugueses


Chama-se KMO, o diminutivo em inglês para o nome quinurenina 3-monoxigenase, uma proteína importante no desenvolvimento de várias doenças neurodegenerativas. Agora, uma equipa internacional com participação portuguesa conseguiu radiografar a estrutura da proteína, o que pode ajudar a encontrar um composto que iniba a KMO e ajude a combater estas doenças.

O estudo foi publicado esta quarta-feira na edição online da revista Nature.

A KMO é uma enzima que é produzida nas células imunitárias do cérebro e poderá estar associada a um processo de inflamação. A actividade desta enzima produz compostos que têm um efeito negativo no sistema nervoso e fazem parte do processo neurodegenerativo de doenças como a Alzheimer, a coreia de Huntington ou a Parkinson.

“A inibição da actividade da KMO leva à melhoria de sintomas relevantes em modelos de levedura, da mosca-do-vinagre ou de ratinhos”, lê-se no início do artigo, cujo primeiro autor é a investigadora portuguesa Marta Amaral, que esteve na Universidade de Manchester como doutoranda e agora se encontra no Instituto de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Tiago Outeiro, do Instituto de Medicina Molecular, em Lisboa, é outro dos autores do artigo.

A equipa liderada por Nigel Scrutton, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, conseguiu tirar uma fotografia tridimensional desta proteína através da técnica de cristalografia por raio-X. Desta forma, ficou a conhecer a forma da proteína. Este dado é importante porque agora é possível saber onde se ligam as substâncias que inibem a KMO.

Já se conhecem algumas moléculas inibidoras desta proteína. A UPF 648 é especialmente eficaz. Mas não atravessa a barreira hematoencefálica – que impede que a grande maioria das partículas no sangue de passerem para o cérebro, onde poderiam causar danos irreversíveis.

Como os cientistas sabem agora a região da KMO que é inibida, podem procurar no banco de compostos moléculas suficientemente pequenas que atravessem a barreira hematoencefálica e que tenham o desejado efeito inibitório da enzima.

“A nossa investigação mostrou com detalhe a estrutura molecular da enzima, agora é possível procurar novos químicos inibidores da KMO que sejam capazes de atravessar a barreira entre o sangue e o cérebro. Isto dá-nos esperança para desenvolvermos novas terapias químicas que combatam doenças neurodegenerativas como a coreia de Huntington, a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson”, diz Nigel Scrutton em comunicado.

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