terça-feira, 4 de setembro de 2018

Conteúdo - Aterosclerose

A aterosclerose é um tipo particular de arteriosclerose, muito frequente, que afecta sobretudo os grandes vasos e que está na base das doenças arteriais mais comuns, como a hipertensão arterial, a doença coronária, o aneurisma da aorta ou a doença arterial dos membros inferiores. Este aspecto é muito importante porque se sabe que as doenças do aparelho circulatório são responsáveis pelas principais causas de mortalidade em Portugal.

A aterosclerose é uma doença das artérias elásticas, de grande e médio calibre, e das artérias musculares e caracteriza-se pela presença de lesões com aspecto de placas (ateromas). Esta doença afecta preferencialmente as margens externas das bifurcações e ramificações arteriais, locais onde é maior a turbulência do fluxo sanguíneo. Trata-se de uma doença geral que pode envolver diferentes órgãos. Quando a parede das artérias é submetida a diferentes formas de agressão ocorre acumulação local de lipoproteínas e migração de células inflamatórias, com proliferação anómala de alguns elementos celulares das camadas mais internas das artérias. Esse processo conduz a um estreitamento progressivo do calibre arterial e tende a afectar as características elásticas dos vasos. A aterosclerose começa em idades jovens e tem um longo período de gestação silenciosa, pelo que se torna necessária adopção de medidas preventivas que controlem os factores de risco para esta doença durante a infância e a adolescência.

Quais as causas da aterosclerose?
Os factores que aumentam o risco de desenvolvimento de aterosclerose incluem níveis elevados de colesterol no sangue, níveis baixos de colesterol HDL (o “colesterol bom”), níveis elevados de proteína C reactiva (um marcador de inflamação), hipertensão arterial, Diabetes, história familiar de doença coronária numa idade precoce, tabagismo, obesidade, inactividade física e idade avançada.

Como se manifesta a aterosclerose?
A aterosclerose geralmente não causa quaisquer sintomas até o fornecimento de sangue para um órgão ser reduzido. Quando isto acontece, as manifestações variam, dependendo do órgão específico envolvido. De facto, os sintomas da aterosclerose são muito variáveis. Alguns doentes com aterosclerose ligeira podem apresentar-se com um quadro de doença grave, como um enfarte agudo do miocárdio ou morte súbita. Pelo contrário, outros doentes com doença mais avançada podem exibir poucos sintomas. As diferentes manifestações clínicas da aterosclerose resultam de um processo clínico generalizado que pode envolver diferentes territórios vasculares: cerebral, coronário e artérias periféricas. Por esse facto, as manifestações clínicas variam de acordo com o território vascular arterial envolvido.

A doença cerebrovascular pode manifestar-se como um acidente isquémico transitório, se ocorrer regressão total dos sintomas e sinais neurológicos em menos de 24 horas, ou acidente vascular cerebral.

A doença vascular coronária pode manifestar-se de diversas formas, como um síndrome coronário agudo, angina de peito estável ou instável, enfarte agudo do miocárdio.

A doença arterial periférica produz diversos sintomas que vão da claudicação intermitente até à dor em repouso. O estreitamento das artérias da perna causa uma dor tipo cãibra nos músculos da perna, especialmente durante o exercício. Se o estreitamento for grave, pode existir dor em repouso, os dedos e os pés podem ficar frios, pálidos ou azulados e pode ocorrer perda dos pelos das pernas. Como se referiu, o estreitamento progressivo do lúmen da artéria causado pela expansão da placa ateromatosa leva a uma gradual obstrução do fluxo sanguíneo. Quando essa obstrução atinge 50-70% do diâmetro do vaso e/ou quando ocorrem necessidades metabólicas ou de oxigénio acrescidas surgem sintomas de baixo débito, a angina de peito ou a claudicação intermitente. A rotura de uma placa aterosclerótica instável, com exposição do seu conteúdo pode levar a trombose com obstrução total da artéria envolvida. Daí pode resultar um quadro de angina instável, enfarte agudo do miocárdio, acidente isquémico transitório ou acidente vascular cerebral. Outras manifestações clínicas da doença aterosclerótica incluem a disfunção eréctil, o desenvolvimento de aneurismas e a insuficiência renal crónica.

Se a aterosclerose afecta a circulação no território abdominal, pode surgir uma dor surda ou tipo cãibra no meio do abdómen, começando geralmente 15 a 30 minutos depois de uma refeição. O bloqueio completo de uma artéria intestinal causa uma dor abdominal intensa, por vezes acompanhada de vómitos, diarreia ou aumento do volume abdominal.

Como se diagnostica a aterosclerose?
O exame médico pode ser útil na detecção de sinais de aterosclerose, tais como a presença de depósitos de lípidos nas pálpebras ou tendões, sopros carotídeos, diminuição dos pulsos arteriais periféricos, massas abdominais palpáveis e pulsáteis, sinais neurológicos, cianose periférica, gangrena, hipotensão, taquicardia.

O diagnóstico passa pela história clínica, incluindo os sintomas actuais e os medicamentos em curso, e pelo exame médico. As análises laboratoriais são importantes, bem como o electrocardiograma ou o ecocardiograma. Podem ser necessários outros exames diagnósticos para avaliar a circulação sanguínea no coração, no cérebro e nas pernas. A medida ultrassonográfica da espessura das camadas íntima e média das artérias carótidas tem surgido como um teste de grande potencial para a avaliação não invasiva da doença aterosclerótica.

Como se trata a aterosclerose?
Não existe cura para a aterosclerose, mas o tratamento pode diminuir a velocidade de progressão ou mesmo interromper o agravamento da doença. O objectivo principal do tratamento consiste em prevenir um estreitamento significativo das artérias para que os sintomas nunca venham a desenvolver-se e os órgãos vitais nunca sejam lesados. Para o conseguir deve começar por seguir um estilo de vida saudável. 

É importante diagnosticar e tratar todos os factores de risco para o desenvolvimento de aterosclerose, como o colesterol e a hipertensão arterial.

A partir do momento em que se tenha desenvolvido lesão de órgãos relacionada com a aterosclerose, o tratamento depende do órgão envolvido, existindo actualmente medicamentos eficazes para controlar a doença coronária, os acidentes isquémicos transitórios e a doença arterial periférica. Esses tratamentos podem ser meramente medicamentosos ou implicar a realização de cirurgia. 

Como se previne a aterosclerose?
É possível ajudar a prevenir a aterosclerose ao alterar os factores de risco para a doença. Deve-se praticar um estilo de vida que promova uma boa circulação e que combata a aterosclerose, evitando fumar, mantendo um peso saudável e uma dieta saudável, rica em vegetais e fruta, praticando exercício regular, controlando a hipertensão arterial, a diabetes e o colesterol.

Fontes
Alberto Manuel de Mello e Silva, Aterosclerose: Doença Sistémica com Manifestações Focais Territórios e Manifestações Clinicas, Revista Factores de Risco 2007, 6, (Jul-Set), pag. 40 -45
Monteiro Júnior e col., Prevalência de aterosclerose subclínica e reclassificação de risco cardiovascular pela medida da espessura íntimo-medial carotídea em pacientes hipertensos ambulatoriais, Rev Port Cardiol. 2013;32:975-80
Jose Cortez, Aterosclerose. Velho problema, novas perspectivas, Acta Med. Port. 2000, 13: 101-105
Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, Recomendações Portuguesas Para a Prevenção Primária e Secundária da Aterosclerose

Conteúdo - Ataque de pânico

O que é um Ataque de Pânico? 
Um ataque de pânico é um episódio súbito e intenso de medo que desencadeia um conjunto de reações físicas que podem simular um enfarte ou gerar uma sensação de morte iminente. Apesar de poderem ser muito assustadores, os ataques de pânico ocorrem na ausência de perigo real e sem causa aparente.

Quando ocorrem os Ataques de Pânico? 
Na maioria dos casos, os ataques de pânico manifestam-se apenas em um ou dois episódios ao longo da vida, nomeadamente em períodos de maior stress, e o problema desaparece. Se os episódios se repetem, causando um constante receio de um novo ataque, estamos perante um pânico patológico.

Os ataques de pânico são comuns, afetando anualmente mais de um terço dos adultos. No entanto, as mulheres apresentam estes episódios duas a três vezes mais frequentemente do que os homens. Já o pânico patológico é mais raro e diagnostica-se em menos de 1% da população, geralmente no final da adolescência ou no início da idade adulta.

Embora os ataques de pânico afetem a qualidade de vida de modo significativo, é possível tratá-los eficazmente.

Quais as causas dos Ataques de Pânico? 
As causas do ataque de pânico não são bem conhecidas mas pensa-se que a genética, a presença de stress intenso, o temperamento individual e a alteração no funcionamento de algumas zonas do cérebro podem ser fatores importantes.

Existem fatores de risco acrescidos para a ocorrência de ataques de pânico, como a morte ou doença grave de alguém próximo, alterações importantes na vida, antecedentes de abuso físico ou sexual na infância ou história de um evento traumático, como um acidente ou um assalto.

Como se manifestam os Ataques de Pânico?
Os ataques de pânico começam subitamente, sem aviso e podem ocorrer em qualquer momento, como a passear, a conduzir, a dormir ou durante uma reunião.

Embora variem muito na sua apresentação, os sintomas de um ataque de pânico habitualmente atingem o seu máximo após 10 minutos e, no final, ocorre uma sensação de grande fadiga.

Os sintomas mais comuns são a sensação de um perigo iminente, medo de perder o controlo ou de morrer, aumento da frequência cardíaca, transpiração, tremores, respiração acelerada e difícil, calafrios, afrontamentos, náuseas, dores abdominais ou torácicas, cefaleias, tonturas, sensação de desmaio, dificuldade em engolir.

Um dos aspetos mais difíceis dos ataques de pânico é o medo intenso de que estes se repitam levando o paciente a evitar situações em que estes possam ocorrer ou mesmo evitando sair de casa (agorafobia) porque, para o paciente, nenhum lugar parece seguro.

Sem tratamento, os ataques de pânico acabam por afetar todos os aspetos da vida, seja pessoal ou profissional, e podem levar ao desenvolvimento de várias formas de fobia, afastamento da vida social, problemas no trabalho ou na escola, depressão, tendências suicidas, abuso de álcool ou de drogas e problemas financeiros.

Como se diagnosticam os Ataques de Pânico? 
Para o diagnóstico do ataque de pânico, é importante excluir doenças orgânicas que possam causar sintomas semelhantes, como as doenças cardiovasculares ou da tiróide. Como tal, é sempre importante realizar uma avaliação médica completa, onde a avaliação psicológica é um elemento essencial, existindo critérios de diagnóstico bem definidos para o pânico patológico.

Como se tratam os Ataques de Pânico? 
O tratamento dos ataques de pânico passa essencialmente pela psicoterapia e pelo recurso a medicamentos que reduzem os sintomas e a depressão geralmente associada a este quadro clínico.

Assim, o objetivo do tratamento é eliminar os sintomas dos ataques de pânico, permitindo ao paciente retomar todas as atividades diárias.

Como se previnem os Ataques de Pânico? 
Não existe um método seguro de evitar os ataques de pânico.

Como tal, as melhores recomendações são recorrer ao tratamento o mais cedo possível, manter o plano terapêutico de modo a prevenir as recaídas e manter uma atividade física regular, que pode ter um papel protetor em relação à ansiedade.

Fontes
The National Institute of Mental Health, 2013
Mayo Foundation for Medical Education and Research, Maio de 2012
Manual Merck Online, 2014
Anxiety and Depression Association of America, 2013

Conteúdo - Astigmatismo

O que é o Astigmatismo?
O astigmatismo corresponde a um erro refractivo, ou seja, a uma alteração da configuração dos olhos que afeta a forma como as imagens são formadas e transmitidas ao cérebro.

É um erro refrativo muito comum, correspondendo a cerca de 13% de todos os erros refrativos. Os outros erros refrativos mais comuns são a miopia e a hipermetropia.

O astigmatismo resulta de uma irregularidade da curvatura da córnea, a camada mais anterior dos olhos, que, em vez de ser perfeitamente convexa, apresenta uma superfície irregular com zonas mais elevadas e outras mais planas.

Essa irregularidade determina que, quando as imagens são projetadas na retina, elas sofram uma distorção ao passarem pela córnea e, como tal, surgem desfocadas.

Qual a incidência de Astigmatismo na população?
A sua incidência varia com a idade, sendo muito frequente nos primeiros meses de vida (cerca de 20%), reduzindo-se na idade escolar para uma frequência perto dos 5% e nos jovens adultos podendo atingir cerca de 60% das pessoas, sendo, de um modo geral, um astigmatismo muito ligeiro, inferior a 0,5 dioptrias.

Na prática, quase todas as pessoas apresentam um pequeno grau de astigmatismo, mas que não chega a afetar a qualidade da visão.

Em Portugal estima-se que cerca de 20% das crianças e metade da população adulta sofram de erros refrativos significativos, incluindo o astigmatismo.

Como se manifesta o Astigmatismo?
A presença de astigmatismo traduz-se numa redução da qualidade da visão. Numa criança, essa redução pode passar despercebida, sobretudo se o astigmatismo afetar apenas um olho.

As crianças podem queixar-se de dores de cabeça, de cansaço, o seu rendimento escolar pode ser afetado, tendem a aproximar-se muito da televisão ou dos objetos mas, em muitos casos, nada disso acontece.

Por essa razão, é importante realizar um rastreio oftalmológico por volta dos três anos. Essa consulta permitirá detetara presença de astigmatismo,miopia ou hipermetropia e, se necessário, proceder à sua correção.

No adulto, as queixas são mais óbvias porque é mais fácil perceber e verbalizar a dificuldade visual.

No astigmatismo, tanto a visão de perto como a de longe estão comprometidas.

Quais as causas do Astigmatismo?
Não se conhece a causa exata do astigmatismo. Como regra, está presente desde o nascimento e quase sempre associado a miopia ou a hipermetropia.

A sua base é essencialmente genética mas pode surgir após um traumatismo ou uma cirurgia ocular.

Algumas doenças oculares, como o queratocone em que a córnea fica progressivamente mais fina, associam-se a graus elevados de astigmatismo.

Como se diagnostica o Astigmatismo?
O diagnóstico é realizado durante a consulta de Oftalmologia, existindo diversos equipamentos que permitem uma deteção e quantificação rápidas desta anomalia, tanto no adulto como na criança.

Mesmo em crianças que ainda não colaboram nos testes normais de visão, existem alternativas que permitem um diagnóstico preciso.

Nessa consulta, todo o globo ocular é avaliado no sentido de estudar as suas características e de excluir possíveis causas de astigmatismo bem como outras doenças oculares.

Como se trata o Astigmatismo?
As formas ligeiras de astigmatismo, que não interferem de modo significativo com a visão, não requerem tratamento.

Quando o astigmatismo é elevado e/ou quando afeta a qualidade da visão, importa corrigi-lo recorrendo a óculos, lentes de contacto ou cirurgia refrativa.

Óculos: os óculos são a solução ideal em crianças até aos 15 anos de idade. No caso de pessoas com mais de 40 anos, poderá ser necessário um tipo de lente nos óculos que corrija tanto o astigmatismo como a chamada “vista cansada para o perto”. Essas lentes são progressivas, por conterem graduações diferentes ao longo da sua superfície.
Lentes de contacto: as lentes de contacto poderão ser utilizadas a partir daí desde que não existam contraindicações, como a presença de alergia, falta de lágrima, exposição intensa a fumos ou a ambientes muito secos. O uso de lentes de contacto requer rigor, higiene e disciplina, sendo importante um acompanhamento médico regular que garanta a pronta deteção e correção de quaisquer anomalias resultantes da sua utilização. Existem vários tipos de lentes de contacto e a seleção de qual a mais apropriada dependerá sempre de uma avaliação médica prévia. Tanto os óculos como as lentes de contacto compensam o erro refrativo causado pelo astigmatismo mas não o curam.
Cirurgia refrativa: a cirurgia refrativa está indicada em pessoas com astigmatismo, com mais de 18 anos e com uma graduação estabilizada há, pelo menos, 12 meses.Essa cirurgia, quando realizada por laser, permite moldar a superfície da córnea e corrigir os erros de superfície correspondentes ao astigmatismo. Trata-se de um procedimento muito simples, feito sob anestesia local, com uma duração de 15-20 minutos e que permite uma visão normal em menos de 24 horas. Mesmo na presença de um quadro combinado de astigmatismo e miopia ou astigmatismo e hipermetropia, esta cirurgia permite resultados fiáveis, seguros e muito rápidos.
Lente dentro do globo ocular: uma alternativa ao laser é a colocação de uma lente dentro do globo ocular que permite compensar o astigmatismo, à semelhança do que se consegue com a lente de contacto mas de uma forma permanente.

Qual o prognóstico do Astigmatismo?
Embora o astigmatismo possa sofrer alterações ao longo do tempo, tornando necessárias atualizações da graduação dos óculos ou das lentes de contacto, ele corresponde a um processo benigno sem implicações permanentes na visão.

A exceção a esta afirmação corresponde às crianças com idade inferior a 5-6 anos. Se existir um astigmatismo significativo presente desde os primeiros anos de vida e que não foi corrigido até essa idade, pode ocorrer um quadro que se designa por ambliopia, o vulgar “olho preguiçoso”, que implica uma interrupção do normal desenvolvimento da visão. Essa interrupção, depois dos 5-6 anos, tende a tornar-se permanente e irreversível.

Daí todo o interesse na realização de uma primeira consulta de oftalmologia a todas as crianças por volta dos 3 anos, de modo a garantir que qualquer tipo de erro refractivo seja prontamente diagnosticado e corrigido antes da instalação da ambliopia.

Fontes:
PubMed Health, Set. 2012
American Optometric Association, 2013
BMJ Publishing Group, Evidence Centre, 2011
Programa Nacional para a Saúde da Visão, Direcção Geral da Saúde, 2004

Conteúdo - Asma

O que é a Asma?
A asma é uma doença inflamatória crónica dos brônquios que se inicia, habitualmente, na infância, mas que pode surgir em qualquer idade.

Os doentes com asma, se estiverem controlados, podem fazer as suas atividades quer profissionais quer desportivas, sem qualquer limitação da vida diária. O tratamento adequado é fundamental para uma melhoria da qualidade de vida.  

Quais os sintomas de Asma?
São sintomas típicos da asma:
-Tosse
-Chiadeira no peito ou pieira
-Falta de ar
-Aperto no peito com o esforço físico
-Cansaço e dificuldade em fazer as atividades ou tarefas do dia a dia

Os sintomas podem ser ocasionais e esporádicos ou mantidos ao longo do ano, podendo variar de ligeiros a graves.

A maioria dos doentes com asma apresenta outros sintomas dependentes de alergia noutros órgãos como o nariz, olhos ou pele.

A rinite alérgica é mesmo um fator de risco ou predisponente para um doente vir a desenvolver asma brônquica.

Conteúdo - Artrose do polegar

A artrose é uma doença que causa inflamação, rigidez e destruição das articulações. Numa articulação normal a cartilagem recobre as extremidades ósseas permitindo-lhes moverem-se suavemente e sem dor. A articulação da base do polegar é formada por um dos ossos do carpo (Trapézio) e o primeiro dos 3 ossos do polegar (Metacárpico).

Esta articulação (Trapézio-Metacárpica) permite a mobilidade e a preensão do polegar com os outros dedos. Na osteoartrose a camada de cartilagem deteriora-se e os ossos roçam entre si. Frequentemente afecta a articulação da base do polegar, também chamada trapézio-metacárpica. A artrose trapézio-metacárpica (rizartrose) vai lentamente destruindo a articulação.
A artrose trapézio-metacárpica (Rizartrose) é mais frequente nas mulheres com mais de 40 anos, mas qualquer pessoa pode tê-la. Geralmente afecta ambos os polegares.

Destruição Articular pela Artrose
Os topos dos ossos estão cobertos pela cartilagem. Esta cobertura actua como uma almofada, permitindo aos ossos moverem-se suavemente. A artrose destrói a cartilagem e os ossos passam a mover-se um contra o outro quando move o polegar, tornando-se a articulação inflamada e dolorosa. Com o tempo os ossos podem colapsar, luxar provocando deformação e rigidez não permitindo esticar o dedo.

Causas
A artrose trapézio-metacárpica resulta do desgaste da articulação. É mais frequente a sua ocorrência, e numa idade mais jovem, se houve traumatismo com lesão de ligamentos ou fractura do polegar. Movimentos de repetitivos de pinça, torção ou de rolar objectos entre o polegar e os dedos podem agravar a artrose.

Sintomas
O sintoma mais frequente é a dor na base do polegar. Pode sentir dor quando pega em qualquer objecto entre o polegar e os dedos, quando tenta abrir uma porta ou rodar uma fechadura. Pode dar por si a deixar cair as coisas. O tempo também pode agravar as dores. A articulação pode inflamar e com o tempo ficar rígido ou deformado.
O seu médico pode diagnosticar uma artrose trapézio-metacárpica pela deformação e mobilidade do seu polegar. O seu médico pode necessitar de pedir uma radiografia para ver o grau de destruição da articulação. O tratamento vai depender da dor e do grau de envolvimento articular.

Tratamento não Cirúrgico
Se a artrite for diagnosticada numa fase inicial da doença, pode responder favoravelmente a um tratamento não cirúrgico. O seu médico poderá colocar uma tala para imobilizar o polegar durante um período de 3 a 6 semanas. Isto limita o movimento e reduz a inflamação. Poderá ser associada a toma oral de um anti-inflamatório, como a aspirina ou o voltaren. Se os sintomas não melhorarem, o seu médico poderá propor-lhe uma injecção articular de um anti-inflamatório, como a cortisona.
Se o tratamento não cirúrgico não aliviar a dor e a rigidez, ou se a artrite já está numa fase mais avançada com destruição articular, o seu médico poderá indicar-lhe que consulte um especialista em cirurgia da mão, para avaliar da indicação cirúrgica e qual a técnica mais correcta para o seu caso.

Tratamento Cirúrgico
Se o especialista em cirurgia da mão lhe aconselhar cirurgia, a articulação doente será removida, normalmente com a remoção da base do 1º metacárpico e do trapézio e a reconstrução efectua-se com uma prótese ou com um enxerto de tendão retirado do deu antebraço e punho. Este tipo de cirurgia pode ser efectuado sob anestesia geral (o que implica 24h de internamento) ou sob anestesia loco regional do plexo branquial, em que só o braço fica anestesiado (o que não implica internamento).

A Recuperação
Inicialmente a mão fica com um penso relativamente volumoso e com uma tala. Depois de retirar os pontos ficará apenas com uma tala para imobilização do polegar durante um total de 6 semanas, desde a data da cirurgia. Esta tala irá manter o polegar estável enquanto se dá a cicatrização. Logo que a tala for retirada, o cirurgião dar-lhe-á indicações sobre os movimentos a efectuar e enviará a um fisioterapeuta para o ajudar na mobilidade, tornando a nova articulação mais flexível e os músculos mais fortes e elásticos. Levará algum tempo até recuperar o uso pleno do seu polegar.

Uma vez recuperada, terá pouca ou nenhuma dor – desde que não exagere as actividades com o seu polegar. Garanta que continua a fazer os exercicios prescritos pelo seu cirurgião ou terapeuta da mão, para melhorar a actividade da nova articulação. O polegar poderá nunca recuperar totalmente, como um dedo novo, mas ser-lhe-á possível retomar a maioria das suas actividades diárias praticamente sem queixas.

Conteúdo - Artrose

A palavra osteoartrose significa degenerescência da articulação. A osteoartrose, vulgarmente chamada artrose, é uma doença que atinge, fundamentalmente, a cartilagem articular, que é um tecido conjuntivo elástico que se encontra nas extremidades dos ossos que se articulam entre si.

A cartilagem articular é nutrida pelo líquido articular ou líquido sinovial, assim designado por ser produzido pela sinovial, uma membrana rica em vasos que forra o interior das articulações. Este líquido articular contribui para lubrificar a articulação, facilitando os seus movimentos, e permitindo que nas articulações saudáveis as cartilagens deslizem umas sobre as outras sem atrito, isto é, sem desgaste.

Na artrose as células (condrocitos) vão morrendo e produzem menor quantidade de proteoglicanos e de colagénio. Em consequência disto, a cartilagem articular ulcera e o osso que está por debaixo da cartilagem reage, espessando-se e dando origem a excrescências ósseas chamadas osteofitos. Os osteofitos são conhecidos pelo nome de «bicos de papagaio», porque alguns deles, nas radiografias, dão imagens que lembram o bico de um papagaio.

Nesse processo degenerativo ocorrem frequentemente fenómenos de inflamação articular, que causam dor e aumento de volume da articulação. Daí se utilizar também a designação de “artrite” para estes quadros clínicos.

A artrose é uma das múltiplas doenças reumáticas e é, de longe, a mais comum. É uma doença de natureza degenerativa que envolve toda a articulação.

A artrose não é sinónimo de envelhecimento articular (há idosos sem artroses e adultos jovens com esta doença), embora seja mais frequente nos indivíduos idosos que, naturalmente, tiveram mais anos para irem desgastando as articulações.

A artrose é a doença mais frequente e continuará a aumentar, dada a sua associação ao envelhecimento. Em Portugal existem cerca de meio milhão de doentes com artrose e com dores, embora, de facto, este número esteja próximo de 1 milhão, visto muitos doentes terem osteoartrose e não apresentarem queixas.

Acima dos 60 anos de idade, 90% dos indivíduos têm artrose.

De facto, a doença é rara antes dos 40 anos mas, a partir daí, torna-se cada vez mais frequente. A associação com a idade é muito evidente, em grande parte porque se acumulam os riscos que provocam a doença e, por outro lado, porque as articulações mais idosas têm mais dificuldade em se adaptarem e regenerarem como as mais novas.

A osteoartrose é uma causa muito importante de invalidez nos idosos e uma das mais frequentes causas de incapacidade definitiva e reforma antecipada.

A doença afeta os dois géneros igualmente, embora depois dos 50 anos haja um ligeiro predomínio do género feminino.

É uma doença que surge em todos os climas e em todas as raças. O clima não é causa de artrose, embora o frio e a humidade agravem as queixas destes doentes, e o clima quente alivie as dores.

Há articulações em que é mais comum surgir a artrose: os joelhos, as mãos, as ancas, a coluna vertebral e os pés. Nas mãos, são as articulações dos dedos e, no punho, na base do polegar as articulações mais comuns. Na coluna vertebral, a região cervical e lombar. Nos pés é a base do primeiro dedo, que quando está deformado é muitas vezes chamado “joanete”.

Em Portugal, as articulações mais frequentemente envolvidas são a coluna vertebral, em particular os segmentos cervical e lombar, os joelhos, as articulações das mãos e a da base do dedo grande do pé. Contrariamente, as articulações dos punhos e os tornozelos são raramente atingidas por artrose.

O que causa as artroses?
Todos aqueles que expõem o seu aparelho locomotor a sobrecargas ou trabalho excessivo, como os desportistas e os obesos, e os que têm malformações das articulações ou dos membros, como deformidades dos joelhos, das ancas ou dos pés, terão tendência para desenvolverem artrose mais precocemente.

Algumas profissões podem originar artroses mais frequentemente em determinadas articulações. Assim, por exemplo, os futebolistas têm mais artroses dos joelhos (gonartroses), as bailarinas mais artroses dos tornozelos, os operários da construção civil que manejam martelos pneumáticos mais artroses dos cotovelos, e os estivadores mais artroses da coluna (espondilartroses).

As artroses podem ser primárias e secundárias.

As artroses primárias não têm uma causa conhecida, ao contrário das secundárias que podem ser devidas a traumatismos, em particular microtraumatismos repetidos, a incongruência das superfícies articulares, a fraturas antigas, a doenças infeciosas, inflamatórias e metabólicas que tenham atingido a cartilagem previamente.

A artrose primária é mais frequente na mulher, afeta mais vezes as pequenas articulações e é mais frequente em determinadas famílias do que noutras.

As artroses secundárias tendem a envolver as grandes articulações.

As causas de osteoartrose são múltiplas. De um modo geral, a sobrecarga de uma articulação normal ou o uso normal de uma articulação doente são as causas de artrose.

Assim, é frequente encontrar no passado traumatismos (grandes ou pequenos, estes normalmente muito repetidos), como os que resultam de atividades desportivas ou profissionais, o excesso de peso, bem como outras doenças reumáticas ou malformações que deterioraram as articulações previamente.

No entanto, existem muitos casos em que nenhuma causa é aparente ou em que apenas a hereditariedade é identificada.

Como se manifestam as artroses?
Não há correlação entre o grau da lesão articular e a intensidade das dores. Muitos doentes têm artroses avançadas e poucas dores, ao passo que outros muito queixosos têm artroses pouco evoluídas.

Os principais sintomas da osteoartrose são a dor, a rigidez, a limitação dos movimentos e, em fases mais avançadas, as deformações. A dor tem um ritmo caracterizado pelo facto das dores se agravarem ao longo do dia, com os movimentos e com os esforços, e melhorarem quando o doente repousa, em particular quando se deita.

Como regra, os doentes com artrose não têm dores durante a noite e dormem bem, embora em alguns casos muito avançados de artroses das ancas e dos joelhos as dores possam, também, surgir durante a noite.
As queixas relativas à osteoartrose evoluem, em geral, muito lentamente e, às vezes, por surtos. Isto significa que os doentes podem estar longos meses ou anos sem sintomas.

Os sintomas mais comuns são a dor articular durante o uso da articulação, em particular quando há sobrecarga.

Também pode ocorrer dor ou rigidez de curta duração quando se inicia o movimento após um período de inatividade.

A limitação da mobilidade articular vai-se agravando progressivamente ao longo da evolução da doença.

Podem ocorrer períodos com inchaço da articulação devido à inflamação. Nos dedos das mãos essa inflamação toma a forma de nódulos e nos joelhos pode-se acumular líquido, o que coincide com um agravamento das queixas.

Durante a evolução da doença a articulação aumenta as suas dimensões, o que é vulgar notar-se nos joelhos ou nos dedos das mãos.

As dores nem sempre estão localizadas ao nível da articulação doente. Na artrose da anca (coxartrose), as dores, que se localizam quase sempre a nível da virilha e irradiam pela face anterior da coxa até ao joelho, podem surgir exclusivamente ao nível desta última articulação. Isto é, o doente tem dores no joelho e a artrose localiza-se na anca. A esta dor chama-se dor “referida”.As dores são muitas vezes “irradiadas”, como acontece, por exemplo, com as dores na coluna lombar e na coluna cervical. Efetivamente, nas lombalgias, nas lombalgias as dores podem irradiar para os membros inferiores e nas cervicalgias podem irradiar para a cabeça, tórax e os membros superiores.

A rigidez surge, sobretudo, ao iniciar os movimentos como, por exemplo, no doente que está sentado e se levanta, e também de manhã ao acordar. A rigidez da osteoartrose é de curta duração, não ultrapassando os 30 minutos.

A limitação de movimentos pode surgir precocemente, ao contrário do que acontece com as deformações que, em regra, são tardias.

A limitação de movimentos pode gerar grande incapacidade nos pacientes com artrose. Assim, por exemplo, os doentes com osteoartrose nos membros superiores, em particular ao nível dos ombros, podem ter grande dificuldade em vestirem-se e alimentarem-se. Por outro lado, as artroses dos membros inferiores podem dificultar a marcha e tornar difíceis ou mesmo impossíveis certas tarefas como, por exemplo, calçar os sapatos.

As deformações articulares têm, por vezes, a forma de nódulos de consistência óssea, como acontece ao nível das mãos, mais concretamente nas articulações dos dedos.

Ao contrário do que acontece com as doenças reumáticas inflamatórias, as artroses são doenças localizadas apenas nas articulações, não atingem os órgãos internos e não são acompanhadas de outros sintomas como febre, falta de apetite, cansaço fácil e emagrecimento.

Ao longo do processo, a cartilagem fica desgastada, cada vez mais fina e, aos poucos, mais destruída. Como ela é essencial para o movimento da articulação, a dor vai-se acentuando e os movimentos vão ficando cada vez mais comprometidos. A dor impede a mobilidade, pelo que surge atrofia dos músculos. A articulação fica instável, agravando as lesões.

No final, a articulação fica incapaz de exercer a sua função, sem cartilagem e com o osso desenvolvido na periferia. Os doentes ficam cada vez mais limitados, até ao ponto de não conseguirem mover a articulação sem um grande esforço e fortes dores.

Como se diagnosticam as artroses?
Ao contrário do que acontece nas doenças reumáticas inflamatórias, as artroses não originam alterações nas análises do sangue e da urina.

As radiografias nos doentes com osteoartrose são muito típicas, apresentando diminuição do espaço articular, isto é, do espaço que se situa entre os dois ossos que se articulam, esclerose do osso subcondral, isto é, reforço do osso situado por debaixo da cartilagem articular, e osteofitos, os também chamados «bicos de papagaio».

Como se tratam as artroses?
A osteoartrose não tem cura, e o doente deve sabê-lo, mas o seu tratamento pode permitir a manutenção de uma vida completamente normal na maioria dos casos.

Os objetivos do tratamento da osteoartrose são aliviar e, se possível, suprimir as dores, melhorar a capacidade funcional, isto é, aumentar a mobilidade das articulações atingidas, evitar a atrofia dos músculos relacionados com as referidas articulações e, finalmente, impedir o agravamento das lesões já existentes.

A artrose não se trata apenas com medicamentos e fisioterapia. O empenhamento do doente é indispensável e sem ele o plano terapêutico não tem êxito.

Constituem medidas básicas do tratamento a educação do doente, o repouso relativo e o plano de exercícios.

Da educação do doente devem fazer parte o ensino das regras gerais de proteção do aparelho locomotor e a correção das posturas incorretas. Na verdade, as posturas incorretas despertam e/ou agravam as dores, e levam a apoios exagerados em áreas da cartilagem articular que, por isso, se vai desgastar mais nesses locais.

Eis alguns exemplos de princípios gerais que poderão ser úteis no controlo ou prevenção das artroses: dormir em cama dura, preferencialmente de “barriga para o ar”; não dormir com almofada; não permanecer durante muito tempo na mesma posição, sobretudo nas posições de pé ou sentado, de modo a reduzir a sobrecarga para a coluna, em particular para a coluna lombar, as ancas e os joelhos; não usar sofás ou poltronas que deformem a coluna vertebral, sendo preferível uma cadeira dura, com as costas bem apoiadas nas costas das cadeiras e os pés bem assentes no solo; manter o pescoço em extensão e nunca fletido; evitar pegar em objetos pesados, para evitar a sobrecarga para as articulações da coluna vertebral; evitar as flexões da coluna vértebra, sendo importante, sempre que for necessário apanhar um objeto do solo, não fletir a coluna mas dobrar os joelhos; utilizar vestuário simples e prático e sapatos com contrafortes resistentes e saltos baixos.

Em alguns casos, o médico pode ter necessidade de prescrever transitoriamente dispositivos que limitem a mobilidade articular como, por exemplo, um colar cervical ou uma cinta ortopédica.

Os doentes com osteoartrose, quase sempre idosos, sofrem frequentemente de outras doenças (obesidade, diabetes, hipertensão, etc.) e essas doenças devem estar bem controladas.

Para lá da dor é importante controlar a inflamação. Nas formas mais avançadas da doença podem ser colocadas, nalgumas localizações, próteses articulares.

O tratamento sintomático da artrose baseia-se em medidas gerais de proteção articular, como o repouso, regras para levantar e transportar cargas e uso de agentes físicos (gelo, calor através de água quente ou infravermelhos e fármacos).

Os fármacos para uso sintomático são os analgésicos como o paracetamol e, em casos mais graves, em associação com opióides fracos. Também se utilizam anti-inflamatórios não esteroides que, embora devam ser administrados com precauções, podem ser muito úteis no controlo dos sintomas associados a inflamação. Além das formas orais, também as tópicas podem ser eficazes, sobretudo se aplicadas repetidamente e em problemas superficiais onde a penetração do fármaco possa estar assegurada.

Por vezes, podem ser úteis injeções intra-articulares de hialorunanos (derivados do ácido hialurónico presente na cartilagem e no líquido sinovial), que muitas vezes aliviam os sintomas por vários meses, e injeções com corticoides nas estruturas peri-articulares (tendões, ligamentos, bolsas sinoviais) que muitas vezes se inflamam causando sintomas fortes.

Para além do tratamento sintomático é da maior importância tentar evitar a progressão da doença. Existem fármacos tomados por via oral que, para além de aliviarem os sintomas, têm uma ação comprovada no atraso da progressão da artrose do joelho e que são o sulfato de glucosamina e o sulfato de condroitina.

Os relaxantes musculares são utilizados quando a contractura muscular é a causa das dores ou contribui para o seu agravamento, como acontece, por exemplo, nas crises agudas de lumbago ou nas ciáticas, ou no torcicolo.

A cirurgia ortopédica, ao corrigir desvios e deformações mas sobretudo realizando artroplastias, isto é, colocando próteses articulares em substituição das já muito degradadas, constitui um importante avanço terapêutico, quase sempre com resultados muito satisfatórios.

Como se previnem as artroses?
Para se conseguir atrasar a evolução de uma artrose são fundamentais todas as medidas que evitem a sobrecarga ou o mau uso da articulação, como manter um peso saudável ou a inibição de certas atividades profissionais ou recreativas. É provável que o exercício físico controlado, para além de melhorar os sintomas, também facilite a mobilidade ou atrase o agravamento da doença.


Fontes
Mayo Foundation for Medical Education and Research, Julho de 2013
Sociedade Portuguesa de Reumatologia, 2012
M. H. Atkinson, Osteoarthrosis, Can Fam Physician. 1984 July; 30: 1503–1507
Mário Viana de Queiroz, Doenças Reumáticas, 2009
F. Berenbaum, Osteoarthritis as an inflammatory disease (osteoarthritis is not osteoarthrosis!), Osteoarthritis and Cartilage, Vol. 21 (1): 16-21, Jan. 2013

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Conteúdo - Artrite Reumatoide

O que é a artrite reumatoide?
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença reumática inflamatória, de causa desconhecida e de evolução crónica, que envolve primariamente as articulações. Nos casos clínicos típicos manifesta-se sobre a forma de uma poliartrite (definida pelo envolvimento de três ou mais articulações), bilateral (afecta articulações nos dois lados do corpo), simétrica (afecta as mesmas articulações dos dois lados do corpo), progressiva, destrutiva e deformante.

Esta evolução culmina, após 10 a 20 anos de evolução da doença, em particular nos doentes com resposta parcial aos tratamentos instituídos, em algum grau de incapacidade motora.

Em Portugal, a artrite reumatoide é a doença reumática inflamatória mais prevalente, afectando cerca de 0,3 a 0,4% da população portuguesa.

O que causa a artrite reumatoide?
A causa da artrite reumatoide é desconhecida, estando contudo identificados vários factores de risco, como as infecções, a genética e alterações hormonais.

Trata-se de uma doença auto-imune, o que significa que as defesas do organismo atacam os seus próprios tecidos.

A artrite reumatoide pode ocorrer em qualquer idade mas é mais comum na meia-idade. O sexo do indivíduo afecta a susceptibilidade para a doença, de tal forma que esta é cerca de 2 a 3 vezes mais frequente na mulher.

Como se manifesta a artrite reumatoide?
A apresentação clínica da AR é variável, com um início da doença de forma aguda ou lenta, ou entre estes dois extremos, de forma subaguda. 

O início lento ou gradual é mais frequente (cerca de 2/3 dos casos), enquanto um início agudo é menos comum. A AR tem início predominantemente como uma doença articular, com uma ou várias articulações afectadas, mais frequentemente as pequenas articulações das mãos e dos pés, de forma bilateral e simétrica, podendo, no entanto, manifestar-se de início como uma doença extra-articular ou com uma apresentação não articular, ou ainda com uma apresentação predominantemente geral, com dores articulares inflamatórias ou dores musculares difusas.

O quadro articular acompanha-se frequentemente, desde o início da doença, de manifestações extra-articulares, como fadiga, anorexia, perda de peso e febre baixa.

Noutros casos, pode ocorrer fadiga isolada ou dor difusa não específica, acompanhada de outras manifestações extra-articulares, como doença pulmonar, durante meses antes do surgimento do quadro de poliartrite.

Como se diagnostica a artrite reumatoide?
O diagnóstico da artrite reumatoide evoluída é realizado pelo Reumatologista e outros clínicos com experiência na observação destes doentes, de forma imediata e “à entrada do consultório”, a partir de uma rápida observação das mãos, que apresentam deformações articulares típicas.

De facto, as mãos de um doente reumático oferecem tanta informação em relação à sua doença que podem ser consideradas o seu cartão-de-visita.

Constituem, no entanto, verdadeiros desafios diagnósticos as formas precoces e iniciais da doença e as formas atípicas. Uma vez que não existe um único teste clínico, radiológico ou serológico que permita o diagnóstico de certeza de AR, este é realizado a partir da conjugação da clínica (sinais e sintomas e sinais característicos), bem como de dados laboratoriais e radiológicos. Em alguns doentes todos os testes podem estar normais.

Como se trata a artrite reumatoide?
A AR exige tratamento ao longo de toda a vida, nele se incluindo o uso de medicamentos, fisioterapia, exercício e cirurgia. Importa igualmente avaliar a presença de alergias alimentares e procurar obter uma dieta equilibrada, rica em ácidos ómega-3.

Dentro dos medicamentos, existem diversas classes que podem ser utilizadas em função do estado clínico de cada doente.

Quanto mais precoce for o tratamento da artrite reumatoide mais se conseguirá retardar a destruição articular.

Fontes:
National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine
Medscape Reference (http://emedicine.medscape.com)
Sociedade Portuguesa de Reumatologia

Conteúdo - Artrite Inflamatória

A artrite corresponde a um processo inflamatório articular que se caracteriza pela presença de derrame articular e/ou dor à movimentação, calor, vermelhidão e limitação funcional.

De um modo geral, os sinais e sintomas das artrites duram até seis semanas. As artrites podem afectar apenas uma articulação (monoartrite), menos do que cinco articulações (oligoartrite) ou mais do que 5 articulações (poliartrite).

As artrites inflamatórias fazem parte de um conjunto de doenças que afectam o sistema imune e, por isso, os sistemas de defesa do corpo atacam os tecidos do próprio organismo em vez de atacarem microrganismos ou substâncias externas. Estas doenças são conhecidas como doenças auto-imunes.

Artrite inflamatória
As artrites inflamatórias mais comuns são a artrite reumatóide, a espondilite anquilosante e a artrite associada à psoríase.

Estas doenças podem ocorrer em qualquer idade e tendem a afectar outras partes do corpo. Podem afectar homens, mulheres e crianças em qualquer idade. Contudo, no caso da artrite reumatóide, 75% dos pacientes afectados são do género feminino e ocorre mais frequentemente entre ao 25 e os 50 anos. O lúpus eritematoso sistémico é igualmente mais comum no género feminino. Por outro lado, a artrite psoriásica e a espondilite anquilosante são mais frequentes em populações mais jovens.

As artrites inflamatórias não são curáveis mas o seu prognóstico tem vindo a melhorar nos últimos 20-30 anos. Existem novos tratamentos que são iniciados mais cedo, assim reduzindo a lesão articular, a necessidade de cirurgia e o número de complicações.

É importante não confundir as artrites inflamatórias com a osteoartrose, que corresponde a um processo degenerativo que ocorre quando se verifica desgaste das cartilagens e/ou ligamentos. Quando essas estruturas estão lesadas, os músculos que as rodeiam contraem-se para proteger a articulação. Quando esse mecanismo não é eficaz, o osso em torno da articulação cresce formando esporões que tentam estabilizar a articulação.

No caso das artrites inflamatórias, os desafios colocados aos doentes são de ordem física (dor, incapacidade, fadiga, lesão de articulações e órgãos) e emocional (depressão, frustração, ansiedade).

Quais as causas das artrites inflamatórias?
De um modo geral, a causa das artrites inflamatórias é desconhecida, pensando-se que na sua origem estão factores de ordem inflamatória ou auto-imune.

O papel da genética ainda não está bem esclarecido.

Quando ocorre o processo inflamatório, são libertadas substâncias químicas que vão afectar diversos tecidos. Essa libertação tende aumentar o fluxo sanguíneo na zona afectada, podendo causar calor e vermelhidão. O inchaço associado pode estimular alguns nervos causando dor.

Como se manifestam as artrites inflamatórias?
Muitas pessoas com artrite inflamatória não apresentam quaisquer sinais de doença.
O aumento do fluxo sanguíneo e a libertação de substâncias químicas atraem glóbulos brancos para o local da inflamação. Estes fenómenos causam irritação, desgaste articular e inchaço.

Os sintomas mais comuns das artrites inflamatórias são vermelhidão, inchaço das articulações que ficam dolorosas e sensíveis ao toque, dor articular, rigidez articular e perda de função das articulações envolvidas.
Sendo uma doença geral, pode ocorrer febre, calafrios, fadiga e perda de energia, cefaleias, perda de apetite e rigidez muscular.

Se a inflamação afectar outros órgãos, os sintomas poderão variar. Se ocorrer inflamação do miocárdio, ocorrerá dor torácica ou retenção de líquidos, se a inflamação envolver a árvore brônquica ocorrerá dificuldade respiratória, se afectar os rins poderá surgir hipertensão ou insuficiência renal, no caso do sistema visual ocorrerá dor e diminuição da visão, se comprometer os músculos provoca dor e fraqueza muscular, se englobar os vasos sanguíneos poderão verificar-se vasculites, com manifestações na pele ou lesão de outros órgãos mais profundos.

A dor nem sempre está presente porque diversos órgãos não apresentam nervos sensíveis à dor.

Como se diagnosticam as artrites inflamatórias?
O diagnóstico das artrites inflamatórias passa pelo exame médico, com destaque para a localização das articulações afectadas, pela presença de rigidez matinal e de queixas localizadas a outros órgãos, devendo estes elementos ser complementados pelos exames radiológicos e laboratoriais.

Como se tratam as artrites inflamatórias?
Existem diversas opções para o tratamento destas artrites, nas quais se inclui o repouso e a cirurgia.
O tipo de tratamento dependerá de diversos factores, tais como o tipo de doença, a idade do paciente, as medicações em curso, o estado geral de saúde e a gravidade dos sintomas.

Os objectivos centrais do tratamento são evitar ou modificar actividades que agravem a dor, recorrer a medicamentos anti-inflamatórios ou analgésicos para controlo da dor e da inflamação e diminuir a pressão exercida sobre as articulações afectadas mediante o recurso a sistemas de imobilização ou de suporte, sempre que necessário.

Os medicamentos mais utilizados no tratamento das artrites inflamatórias são aqueles que reduzem a inflamação e o inchaço e que previnem ou minimizam a progressão da própria doença. Os mais utilizados são a aspirina, ibuprofeno, corticóides e medicamentos como os usados em quimioterapia, terapêuticas biológicas ou medicamentos narcóticos para alívio da dor.

O papel da reabilitação precoce é essencial e pode incluir fisioterapia, protecção das articulações, exercícios para recuperação de força e flexibilidade.

Como se previnem as artrites inflamatórias?
Não existindo uma causa específica, a prevenção é mais difícil.
Contudo, o exercício físico regular e adaptado à idade e condições de cada pessoa, uma dieta equilibrada, um adequado controlo de peso, são bons exemplos de medidas que podem ajudar a prevenir as diversas formas de artrite.

Fontes
Arthritis Research UK, 2013
WebMD, 2012
Lesko M. e col., Managing inflammatory arthritides: Role of the nurse practitioner and physician assistant. Journal of the American Academy of Nurse Practitioners, 382–392, July 2010
National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine, 2013

Conteúdo - Artrite Idiopática Juvenil

As Artrites Idiopáticas Juvenis constituem um grupo heterogéneo de doenças iniciadas antes dos 16 anos de idade, caracterizadas pela presença de artrite de uma ou mais articulações, persistindo, pelo menos, durante 6 semanas.

São das doenças crónicas mais frequentes na criança e no adolescente, sendo uma causa importante de incapacidade, doença ocular e de insucesso escolar pelo absentismo que podem provocar.

Conteúdo - Arritmias

Quando ocorrem as Arritmias Cardíacas?
As alterações do ritmo cardíaco (arritmias) ocorrem quando os impulsos elétricos do coração que coordenam os batimentos cardíacos não são emitidos de um modo adequado, fazendo com que o coração bata demasiado depressa, demasiado devagar ou de um modo irregular.

Qual a incidência de Arritmias na população?
A maioria das arritmias afeta pessoas com mais de 60 anos de idade, dada a presença de doença cardíaca e de outros problemas de saúde que se podem associar às arritmias.

A fibrilhacão auricular é a arritmia mais frequente e afeta cerca de 1% das pessoas com menos de 55 anos. Este tipo de arritmia aumenta de frequência ao longo da vida, sobretudo entre os 65 e os 80 anos. Considerando-se a elevada taxa de mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) em Portugal e assumindo-se que a fibrilhação auricular está na base de 15% dos AVC isquémicos, entende-se que é importante controlar esta arritmiacomo forma de prevenir a ocorrência de AVC.

O que são Arritmias?
Uma arritmia é, portanto, um problema do ritmo dos batimentos cardíacos. Durante uma arritmia o coração bate mais depressa (taquicardia), mais devagar (bradicardia) ou irregularmente.

O coração é um órgão muscular com quatro cavidades concebidas para trabalharem de modo ininterrupto e eficaz durante toda a vida. As paredes musculares de cada cavidade contraem-se numa sequência precisa e, durante cada batimento, expulsam a maior quantidade de sangue com o menor esforço possível.

Essas contrações das fibras musculares do coração são controladas por descargas elétricas que percorrem o coração seguindo diferentes trajetórias e a uma velocidade determinada.

A frequência cardíaca em repouso é de 60 a 100 batimentos por minuto. Muitos adultos jovens apresentam frequências cardíacas mais baixas, sobretudo se estiverem em boas condições físicas.

As variações na frequência cardíaca são normais e podem resultar do exercício, da inatividade, da dor, ansiedade, etc. Só quando o ritmo é inadequadamente rápido ou lento, ou quando os impulsos elétricos seguem vias anómalas, se considera que o coração tem um ritmo anormal (arritmia).

Para além disso, é frequente as arritmias serem inofensivas, no sentido em que todas as pessoas podem apresentar batimentos irregulares ocasionalmente. No entanto, as arritmias podem ser desconfortáveis e podem, por vezes, colocar a vida em risco. Durante uma arritmia, o coração pode não ser capaz de bombear sangue suficiente para o corpo, o que pode causar danos no cérebro, coração e outros órgãos.

O que causa as Arritmias?
Uma arritmia pode ocorrer quando os sinais elétricos que controlam os batimentos cardíacos estão desfasados ou bloqueados ou se uma estrutura do coração deixa de produzir sinais elétricos.

Cada tipo de arritmia tem a sua própria causa. As arritmias ligeiras podem surgir pelo consumo excessivo de álcool ou de tabaco, por stress ou pelo exercício. A hiperatividade, doenças da tiroide e alguns fármacos, especialmente os utilizados para o tratamento das doenças pulmonares e da hipertensão, podem também alterar a frequência e o ritmo cardíacos. A cocaína e as anfetaminas, alguns medicamentos de venda livre e a cafeína também podem ser responsáveis por arritmias.

A causa mais frequente das arritmias é a doença cardíaca, em particular a doença das artérias coronárias, o enfarte do miocárdio, a hipertensão arterial, o mau funcionamento das válvulas e a insuficiência cardíaca. Algumas doenças cardíacas congénitas também causam arritmias.

A diabetes, a obesidade e a apneia do sono também podem estar envolvidas neste tipo de alterações. Um choque elétrico pode ser o fator desencadeante de uma arritmia.

Por vezes, as arritmias surgem sem uma causa detetável.

Como se manifestam as Arritmias?
Alguns tipos de arritmias provocam poucos sintomas ou nenhuns, mas podem causar problemas. Outras nunca causam problemas importantes, mas, por outro lado, provocam sintomas.

Quando as arritmias afetam a capacidade do coração para bombear sangue, podem causar enjoos, vertigem e desmaio. As arritmias que provocam estes sintomas requerem atenção imediata.

Outros sintomas possíveis são palpitações, dor no peito, dificuldade na respiração.

É importante que procure o seu médico sempre que sentir estes sintomas de um modo súbito ou quando eles surgem frequentemente.

Como se diagnosticam as Arritmias?
A descrição dos sintomas permite quase sempre fazer um diagnóstico provisório e determinar a gravidade da arritmia.

Geralmente, são necessários exames adicionais para determinar com exatidão a natureza da doença. Os mais importantes são: eletrocardiograma; um monitor portátil (Holter) que permite um registo durante 24 horas; ecocardiograma; estudos eletrofisiológicos invasivos, nos quais se introduz por via endovenosa um cateter até ao coração; angiografia coronária.

Como se tratam as Arritmias?
A administração de fármacos é muito útil no caso de sintomas intoleráveis ou quando eles representam um risco. Não existe um único fármaco que cure todas as arritmias em todas as pessoas. Por vezes é preciso experimentar vários tratamentos até encontrar um que seja satisfatório. Os fármacos antiarrítmicos podem, além disso, produzir efeitos secundários e piorar ou, inclusive, provocar arritmias.

Os pacemakers artificiais, dispositivos eletrónicos que atuam em vez do pacemaker natural, programam-se para imitar a sequência normal do coração. Geralmente, implantam-se sob a pele do peito e possuem cabos que chegam até ao coração. Estas unidades duram, atualmente, entre 8 a 10 anos.

Por vezes, a aplicação de uma descarga elétrica no coração pode deter um ritmo anormal e restaurar o normal. Este método denomina-se cardioversão, electroversão ou desfibrilhação.

Certos tipos de arritmias corrigem-se através de intervenções cirúrgicas e outros procedimentos invasivos. Por exemplo, as arritmias provocadas por uma doença coronária controlam-se através de uma angioplastia ou uma operação de derivação das artérias coronárias (bypass).

Após a avaliação inicial, o seu médico determinará qual o tratamento ideal para si.

Como se previnem as Arritmias?
Uma vez que muitas arritmias estão associadas a doença cardíaca, é importante manter o coração saudável, através de uma dieta equilibrada, prática regular de exercício físico, controlo da pressão arterial e do colesterol, deixar de fumar e reduzir o consumo de álcool e de café.

O controlo da ansiedade e do stress é também muito importante.

Fontes:
Epidemiologia da fibrilhação auricular, Bonhorst D. e col., Rev Port Cardiol 2010; 29 (07-08): 1207-1217
Mayo Foundation for Medical Education and Research, Feb. 11, 2011
National Institutes of Health, Department of Health and Human Services
Manual Merck online, 2013

Conteúdo - Apneia do Sono

Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono
A roncopatia ou ressonar, como é vulgarmente conhecido, resulta de um som originado pela vibração do palato e das paredes da faringe. O ressonar não constitui apenas um incómodo do ponto de vista conjugal e social, mas pode também ser a fase inicial do síndrome de apneia do sono, sendo que 90% dos que sofrem deste síndrome ressonam.

A maioria das pessoas com síndrome de apneia obstrutiva do sono apresenta alterações a nível da faringe, com obstrução da via aérea num qualquer nível entre a epiglote e as fossas nasais, muitas vezes associada ao aumento excessivo de peso e outros fatores de risco. Cansaço, sonolência, diminuição da líbido e uma maior incidência de problemas cardiovasculares, são situações frequentemente associadas a este quadro clínico.

O Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma perturbação respiratória relacionada com o sono, de maior gravidade que a roncopatia simples e consiste na cessação do fluxo respiratório durante o sono por mais de 10 segundos e mais de 5 vezes por hora devido ao colapso da via aérea superior. A consequência direta da apneia do sono é a alteração do padrão do sono, onde há uma incapacidade de se atingir as fases profundas, que são as fases restauradoras, as que permitem odescanso físico e mental. Deste modo, o doente não se sente restabelecido pela manhã como uma pessoa normal. Pode ter sonolência durante o dia, quer no emprego, quer a conduzir ou a fazer outras atividades simples do dia-a-dia. Poderá também ter cefaleias, irritabilidade, alterações do humor. Nas situações mais graves poderá haver deterioração intelectual, da atenção, memória e raciocínio bem como impotência sexual.

A incorreta oxigenação do sangue que ocorre durante a noite induz problemas graves como o aumento do trabalho cardíaco, hipertensão arterial, arritmias cardíacas, aumento significativo do risco de enfarte agudo do miocárdio e alterações hormonais.

Como é diagnosticada a Apneia do Sono?
Os médicos dispõem de um conjunto de ferramentas para o ajudar no diagnóstico e tratamento da apneia do sono, como exames complementares endoscópicos, estudo poligráfico do sono noturno e se necessário a cirurgia para tratar a roncopatia.

Em caso de roncopatiaintensa ou suspeita de apneia do sonoo doente deve ser encaminhado para uma consulta especializada, onde é confirmado o diagnóstico e planeado o tratamento. São colocadas algumas questões acerca da facilidade em adormecer em situações do dia-a-dia.

Através do exame objetivo, ou seja, dos sinais que o médico pesquisa no doente, é possível identificar as alterações anatómicas e planear um tratamento. Quando há suspeita de SAOS deve ser realizado um estudo polissonográficodo sono, exame que avalia diversos parâmetros durante o sono, permitindo a confirmação do diagnóstico.  

A Unidade de Otorrinolaringologia tem as valências necessárias ao diagnóstico da apneia do sono, realização de exames complementares, apoio de consulta de nutrição, tratamento médico e cirúrgico dos casos de roncopatiasimples e SAOS. A Otorrinolaringologia tem um papel importante no despiste, diagnóstico e tratamento destas patologias nomeadamente na seleção dos casos cirúrgicos.

Como se trata a Apneia do Sono?
Atualmente existem algumas opções de tratamento para estas condições, devendo sempre ser tentado em primeiro lugar a correção dos fatores de risco como a obesidade, ingestão de álcool à noite, tabagismo, refluxo gastro-esofágico, toma de determinados medicamentos e a posição de decúbito dorsal (dormir de barriga para cima). O tratamento médico mais estandardizado na SAOS consiste na utilização de um aparelho durante a noite que aumenta a pressão nas vias aéreas superiores, impedindo deste modo as apneias. Este tratamento tem como vantagem ser eficaz em quase todos os doentes, mas como desvantagem o facto de poder ser incomodativo e ter de ser usado permanentemente. Os tratamentos cirúrgicos para a apneia do sonosão diversos e devem ser adaptados às alterações encontradas no doente, designadamente anomalias nasais, da faringe e palato, língua e craniofaciais. Têm como vantagem a correção do problema sem a utilização permanente de dispositivos. Podem ser pouco invasivos como a cirurgia por radiofrequência ou LASER ou, se necessário, mais tradicionais como a cirurgia nasal, do palato e base da língua.

Em conclusão, a roncopatiapode ser extremamente incomodativa e a SAOS uma condição com repercussões graves na saúde do indivíduo. É essencial que a população em geral e os médicos estejam alertados para estes casos e em caso de suspeita de apneia do sonoque o doente seja encaminhado a uma consulta especializada. Caso o diagnóstico se confirme, o doente deve cumprir todas as medidas aconselhadas pelo médico e saber quais as opções terapêuticas, decidindo em consciência e com a ajuda do médico a medida que mais se adapta à sua situação.


Conteúdo - Apendicite

A apendicite é uma inflamação do revestimento interno do apêndice, pequena estrutura situada na primeira porção do intestino grosso no lado direito do abdómen.

É um processo relativamente comum que se acompanha de manifestações muito diversas e, por vezes, enganadoras que simulam outros quadros clínicos, o que implica um atraso no diagnóstico.

A apendicite ocorre mais frequentemente entre os 10 e 30 anos, com discreto predomínio no sexo masculino e pode ter uma taxa de mortalidade é de 0.25% A apendicite aguda é a principal causa de cirurgia abdominal urgente em idade pediátrica.

Se não for tratada, a apendicite pode associar-se a diversas complicações, como a perfuração ou a septicémia (infeção generalizada).

Quais as causas da apendicite?
A apendicite é causada pela obstrução do apêndice, causando a sua inflamação, congestão, insuficiência de irrigação arterial com consequente necrose e potencial perfuração.

Essa obstrução pode estar associada a uma doença inflamatória intestinal, infecções, tuberculose, parasitas, corpos estranhos, neoplasias ou formação de fecalitos (acumulação de material fecal).

Como se manifesta a apendicite?
O quadro mais habitual é a presença de perda de apetite, dor abdominal em torno do umbigo seguida de náusea. A dor tende a deslocar-se para a região inferior direita do abdómen e acompanha-se de vómitos. Este quadro está presente em cerca de 50% dos casos.

Podem também ocorrer diarreia ou obstipação.

Nas fases iniciais da apendicite, a febre não está presente.

Os sintomas costumam durar menos de 48 horas mas podem ser mais duradouros em pessoas com idade mais avançada ou quando ocorre perfuração.

Contudo, a apendicite pode simular outras doenças como uma infeção urinária, uma cólica renal, uma gastrite ou uma doença ginecológica.

Como se diagnostica a apendicite?
O diagnóstico da apendicite não se baseia apenas num sinal, sintoma ou exame.

Sendo a apendicite uma doença potencialmente grave, é essencial que esse diagnóstico seja correto de modo a que se evite uma cirurgia desnecessária e outras complicações.Sendo a apendicite uma doença potencialmente grave, é essencial que esse diagnóstico seja correcto de modo a se evitar uma cirurgia desnecessária e outras complicações.

O exame médico, como sempre, é muito importante. Neste caso, como a apendicite pode simular diversas doenças, esse exame é ainda mais relevante.

A realização de análises ao sangue e urina, uma ressonância magnética, tomografia computorizada ou uma ecografia, é também bastante utilizada.

Como alguns resultados podem demorar algum tempo, por vezes o diagnóstico implica a realização de uma intervenção cirúrgica exploradora, sobretudo nos casos em que a suspeita é forte e existe o risco de perfuração.

Como se trata a apendicite? 
A cirurgia (apendicectomia) continua a ser o único tratamento curativo para a apendicite. O momento ideal para a intervenção depende do estádio da doença e, por vezes, pode ser necessário aguardar algum tempo.

Por exemplo, se existir um abcesso será importante um tratamento prévio com antibióticos por via intravenosa e apenas depois proceder à cirurgia.

Como se previne a apendicite?
Existem estudos que sugerem que o risco de apendicite é menor nos países com dietas mais ricas em fibras.

Uma razão possível é o efeito das fibras sobre as fezes, tornando-as mais moles e, deste modo, tornando mais difícil a obstrução do apêndice.
As fibras estão presentes em alimentos como os cereais, pão, arroz, massas, vegetais com raiz, como as cenouras, e a fruta.

Fontes
Medscape Reference, Outubro 2012
Ebell, M. H. Diagnosis of Appendicitis: Part I. History and Physical Examination, Am Fam Physician, 2008 Mar 15;77(6):828-830.
Gonçalves, Jean-Pierre e col., Validação do score de Alvarado no diagnóstico de apendicite aguda em crianças e adolescentes no Hospital de Braga, Acta Med Port 2011; 24(S2): 583-588
Butsch J., Appendicitis, Common Surgical Diseases, 2008, pp 157-159  

Conteúdo - Ansiedade

A ansiedade é uma emoção caracterizada por sentimentos de tensão, preocupação, insegurança, normalmente acompanhados por alterações físicas como o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, sudação, secura da boca, tremores e tonturas.

Em condições normais, a ansiedade pode ser útil, na medida em que ajuda a identificar situações de perigo e permite uma melhor preparação para as enfrentar. Quando bem controlada, a ansiedade atua sobretudo como estimulante. Em excesso, a ansiedade causa sofrimento desnecessário.

Existem diferentes formas de ansiedade, cada uma delas com sintomas diferentes, sendo as principais as seguintes:
-doença obsessiva compulsiva
-stress pós-traumático
-pânico
-agorafobia o ansiedade generalizada o ansiedade social o ansiedade da separação

Qual a relação entre ansiedade e depressão?
A ansiedade faz parte do quadro clínico da depressão e está associada de forma variável às alterações de humor e aos estados depressivos. Pode-se, portanto, afirmar que os pacientes com depressão sofrem também de ansiedade, mais ou menos pronunciada. Da mesma forma, a maioria das pessoas em que a ansiedade se manifesta num grau elevado pode evoluir para um estado depressivo.

A presença em simultâneo de depressão e ansiedade é muito marcante, implicando maior gravidade de sintomas. Estudos desenvolvidos em Portugal registaram forte correlação entre depressão, ansiedade e stress.

Qual a incidência de ansiedade em Portugal?
Trata-se de um problema importante e comum. A nível da medicação, entre 2004 e 2009, observou-se um crescimento de 25,3% no consumo de ansiolíticos, hipnóticos, sedativos e antidepressivos. Estes dados são confirmados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), onde Portugal se situa acima da média dos países desta organização no consumo de ansiolíticos.

São escassos, no entanto, os estudos que apresentam resultados relativos à realidade portuguesa. Alguns estudos apontam para taxas de cerca de 50% dos utilizadores de cuidados primários de saúde apresentando sintomas de depressão/ansiedade.

As evidências demonstram maior prevalência de perturbações depressivas e de ansiedade entre as mulheres. Em Portugal, existem poucas evidências dessa tendência, embora alguns estudos recentes sugiram que as mulheres são mais suscetíveis a esse tipo de perturbação.

Quais são as causas da ansiedade?
Em alguns casos, a ansiedade poderá ter uma causa evidente. Por outro lado, existem outros casos em que a ansiedade parece não ter causa aparente. Quando isso sucede, o facto de o paciente não conseguir identificar a causa da sua ansiedade tende a aumentá-la ainda mais. Por esse motivo, um dos aspetos importante no tratamento da ansiedade é a identificação dos fatores que a desencadeiam.

Para além disso, pensa-se poder existir uma base genética para a ansiedade.

A ocorrência de experiências stressantes e a incapacidade de lidar com elas é outro aspeto importante.
O consumo de álcool, drogas, chá, café, tabaco e alguns medicamentos podem também associar-se a crises de ansiedade.

De um modo geral, as dificuldades da vida são habitualmente fatores que desencadeiam ansiedade, e nos casos agudos, angústia. Além disso, as dificuldades pessoais de inserção na sociedade, os conflitos interiores no domínio afetivo, emocional e sexual podem conduzir a uma sintomatologia ansiosa.

Como se manifesta a ansiedade?
Os sintomas mais comuns da ansiedade são as sensações de apreensão ou preocupação, de impotência, de medo ou pânico. Estas sensações associam-se frequentemente a sintomas físicos como o aumento da frequência cardíaca e respiratória, suores, tremores, sensação de fadiga, entre outros.

Os diferentes tipos de ansiedade apresentam manifestações específicas:
-Os ataques de pânico podem começar de forma súbita, causando sintomas físicos muito fortes, quase de asfixia. o Na agorafobia, a ansiedade ocorre em ambientes nos quais o paciente se sente encurralado.
-As fobias sociais ocorrem em circunstâncias de exposição social ou pública.
-Na doença obsessiva compulsiva ocorrem pensamentos persistentes e um desejo incontrolável de repetir, sem razão aparente e sem propósito, um determinado ato.
-No stress pós-traumático, o paciente sente que está reviver uma experiência traumática, referindo reações emocionais e físicas muito intensas.

Como se diagnostica a ansiedade?
O diagnóstico da ansiedade pode ser bastante difícil.

O exame médico é essencial de modo a poder excluir-se a presença de doença física real que esteja na base das queixas referidas.

A confirmação do diagnóstico depende da confirmação da presença dos critérios de ansiedade definidos internacionalmente.

Como se trata a ansiedade?
É necessário não esquecer que a ansiedade é um fenómeno universal, que faz parte da nossa vida. Frequentemente, pequenas alterações no quotidiano ou nos hábitos podem diminuir ou mesmo eliminar as reações ansiosas.

Pode ser útil adotar no dia-a-dia hábitos simples que permitam reduzir os estados de ansiedade. São exemplos disso as técnicas de relaxamento e meditação, uma boa gestão e organização do tempo, uma comunicação regular e eficaz com os outros (tanto no trabalho como em casa), entre outros.

Dormir bem é, também, muito importante.

Por vezes, pode ser necessário o recurso a medicamentos, que deverão ser sempre prescritos pelo médico. Este tipo de tratamento é, habitualmente, de longa duração e deve ser cuidadosamente acompanhado.

Em alguns casos o tratamento com medicamentos pode ser complementado com apoio psiquiátrico.

Deve ser sempre evitada a automedicação.

Fontes
Fernandes, C. P., Lidar com a ansiedade, Gabinete de Apoio Psicopedagógico, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa
Evidência científica sobre custo-efectividade de intervenções psicológicas em cuidados de saúde, Ordem dos Psicólogos Portugueses, Out. 2011
Apóstolo, J. L. Alves e col., Depressão, ansiedade e estresse em usuários de cuidados primários de saúde, Rev. Latino-Am. Enfermagem, 19(2), mar-abr 2011: 1-6,
American Psychological Association, 2013
Anxiety.org, 2013